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Grupo de médicos em cirurgia
News nº
97
Janeiro 2020
(Visite a edição completa)
Mais e Melhor
O burnout na classe médica
As perspetivas do Doutor David Barreira

senhor de bata sentado

O Burnout é um tema que nos últimos anos tem sido muito referido e que está presente em várias profissões. Várias vezes ouvimos as consequências que o excesso de trabalho e outros fatores podem ter nas pessoas. Mas, o que é afinal o burnout? E como afeta a comunidade médica?

Procurámos o Doutor David Barreira, doutorado em Ciências Biomédicas pela nossa Faculdade para falarmos um pouco e termos informação sobre este tema. Para além de psicólogo clínico no Serviço de Gastrenterologia e Hepatologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) e docente livre em várias cadeiras do Mestrado da FMUL, foi ainda membro da equipa técnico-científica da Ordem dos Médicos no Estudo Nacional - “Burnout na Classe Médica em Portugal: Perspetivas Psicológicas e Psicossociológicas” -  um  estudo Nacional elaborado a pedido da Ordem dos Médicos. Foi igualmente tutor do Projeto GAPIC FMUL em conjunto com a Profª Drª Sílvia Ouakinin – “Rastreio de Burnout numa Escola Médica Portuguesa (FMUL)” – com as alunas Joana H. Oliveira e Sara Alves. 

Com a sua ajuda e do material generosamente enviado por David Barreira, reproduzimos aqui o que aprendemos sobre o burnout especialmente junto da comunidade médica.  

 

Sobre o burnout.

O conceito de burnout foi evoluindo ao longo do tempo e as definições mais recentes referem o burnout como “um estado de exaustão física, emocional e mental causado pelo envolvimento, por longo tempo, em situações emocionalmente desgastantes”. Temos que ter em conta que a síndrome de burnout profissional é tridimensional: a dimensão da exaustão emocional em que existe numa depleção de energia emocional necessária para atender os requisitos do trabalho, da despersonalização/cinismo em que existem respostas distanciadas por parte dos profissionais em relação aos seus clientes e a ineficácia/baixo desemprenho em que se forma um declínio no sentimento de competência pessoal e desempenho.

 

Há uma tendência a confundir stress e burnout, mas são conceitos distintos, apesar de relacionados: o stress implica um super envolvimento em relação a algo, tem uma vertente mais física, estando as emoções híper-reativas. Já o burnout é uma defesa caracterizada pela desistência em relação a algo, o principal dano é emocional, estando as emoções embotadas.  Vários estudos têm identificado o stress profissional de origem organizacional como um dos fatores para o surgimento de burnout.

 

Principais resultados do projeto dobre o Estudo Nacional “Burnout na Classe Médica em Portugal: Perspetivas Psicológicas e Psicossociológicas”.

Este estudo do burnout na classe médica Portuguesa, foi de extrema importância para a caracterização desta síndrome na população em causa, pois apesar do burnout estar extensamente documentado, em Portugal não havia dados suficientes, apenas dados parcelares, para que se pudesse criar um retrato abrangente do burnout na classe médica. Neste estudo o universo foi constituído por todos os profissionais registados na Ordem dos Médicos, em exercício e com contacto possível (43983 sujeitos, de um total de 49152 médicos registados) e houve uma taxa de resposta ao inquérito total de 21% (9176 inquéritos).

medico de bata sentado e triste
Credits: Pexels

 

 

Segundo o relatório final deste estudo, os resultados mostram que “66% dos médicos inquiridos relataram um nível elevado de Exaustão Emocional, 39% apresentaram um nível elevado de Despersonalização e cerca de 30% reportaram uma elevada Diminuição da Realização Profissional.”.  É interessante também perceber que existem distinções a nível de género: “As mulheres referiram maiores níveis de Exaustão Emocional e os homens maiores níveis de Despersonalização”.

 

O estudo parece indicar que para os médicos portugueses são os fatores organizacionais que têm maior peso na explicação das dimensões do burnout em detrimento de fatores individuais ou de sistema. Já os níveis de engagement (envolvimento com o trabalho) e de bem-estar pessoal são elevados na amostra global o que remete eventualmente para um bom nível de capacidades adaptativas por parte dos médicos portugueses.

 

Assim, “o estudo revela uma presença significativa de indicadores de burnout nos médicos avaliados. Revela, ainda, que estes estados podem afetar negativamente a saúde física e mental dos médicos, influenciar negativamente a sua relação com a família, bem como a qualidade do seu desempenho profissional. Para além do sofrimento e risco associados ao estado de exaustão, despersonalização ou diminuição da realização profissional, que se fazem sentir a nível individual, são preocupantes os impactos negativos na dimensão organizacional.”

 

Estratégias para lidar com o burnout.

 

A alta prevalência de burnout nos médicos é preocupante pois pode afetar a qualidade e a segurança como os serviços são prestados aos pacientes para além da diminuição da qualidade de vida e de saúde para o médico em si. Assim são fundamentais estratégias de intervenção.

As estratégias de intervenção terão que ocorrer transversalmente a vários níveis já que existem vários fatores (individuais, organizacionais e de sistema) que potenciam o estado de burnout.

Obviamente será necessária investigação mais aprofundada para identificar, efetivamente, quais serão as estratégias mais eficazes para este grupo em particular e também ponderar a continuação da investigação de modo mais amplo para chegar a mais médicos, criando grupos para analisar especialidades distintas que terão particularidade próprias.

 

médicos em bloco operatório
Credits: Pexels

 

 

Mas existem boas notícias. Um aspeto que ressurge do estudo e que poderá ser uma pista para possíveis estratégias eficazes será o nível de envolvimento profissional dos médicos:  75% apresentam níveis de Envolvimento com o trabalho (Engagement) acima da média. Assim o estudo conclui que, “dado o seu papel como potencial amortecedor do impacto do stress profissional nos indicadores de Burnout, o desenvolvimento de políticas e práticas organizacionais de sustentação do Envolvimento profissional dos médicos Portugueses merece, pois, atenção por parte dos decisores.”

 

Para quem interessar deixamos aqui o link para o relatório final “Burnout na Classe Médica em Portugal: Perspetivas Psicológicas e Psicossociológicas”

 

Rastreio de Burnout numa Escola Médica Portuguesa (FMUL)

“Este trabalho visou determinar a prevalência de Burnout nos estudantes do 1º ao 5º ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e investigar a associação desta com fatores de risco individuais como o stress percebido e as estratégias de regulação emocional, os níveis de ansiedade ou depressão. A amostra incluiu 390 alunos, dos quais 176 (45%) obtiveram indicadores de Burnout.

Embora neste trabalho não seja possível estabelecer relações de causalidade, as associações observadas entre as variáveis representantes de dificuldades face a situações geradoras de maior tensão, com uma valência emocional negativa (estratégias de regulação emocional) e as dimensões do Burnout, fazem supor que elas representam um fator de vulnerabilidade. Por outro lado, a associação entre essas dimensões, o stress percebido, a ansiedade e a depressão, alerta para a necessidade de trabalhar estas vivências como causa e/ou efeito do Burnout. Os dados obtidos, revelam uma prevalência significativa de Burnout, assim como relações significativas entre ansiedade, depressão e dimensões do Burnout. Evidencia-se a necessidade de implementar métodos preventivos e de intervenção eficazes, integrando os fatores protetores e de vulnerabilidade identificados.”

 

 

Sónia Teixeira
Equipa Editorial

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