
Celebrado no dia 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação é uma iniciativa da Organização da Nações Unidas. Este ano a FAO, Agência da ONU para a Alimentação e Agricultura, celebra 80 anos de existência e a data ganha assim, uma dimensão maior.
Criada na década de 80, pretende trazer para a Agenda Mundial as questões da pobreza e da fome, das desigualdades no acesso à alimentação, questões ligadas à agricultura nomeadamente a práticas sustentáveis e também a introdução de novas tecnologias em todo o processo alimentar desde o seu início até ao momento em que os produtos são comercializados.
Este ano o mote da campanha é “Mãos Dadas por Alimentos Melhores e um Futuro Melhor” e, pegando neste tema, o Laboratório de Nutrição da FMUL, lança assim mais um e-book, a que acrescenta ao título da campanha mundial, “Perspetivas de Transformação Global num Mundo em Transformação.”
Falámos com a Professora Joana Sousa que explicou que este e-book resulta do trabalho de mais de 20 profissionais do Laboratório de Nutrição e partilhou quais as principais preocupações e desafios na indústria alimentar da atualidade.

- Qual o destaque do e-book deste ano, o que quiseram evidenciar?
O e-book deste ano destaca a importância da cooperação global e local para garantir uma alimentação saudável, justa e sustentável num mundo em rápida mudança, tentando responder ao desafio do tema da FAO para o DMA 2025 “Hand in Hand for Better Foods and a Better Future”. Reúne 22 vozes do Laboratório de Nutrição da FMUL, que, a partir da ciência, mostram que a alimentação é muito mais do que uma escolha individual — é um ato com impacto na saúde, no ambiente e na sociedade e termina com um capítulo que tenta resumir o mais relevante de todo o e-book tendo por base o tema global.
Quisemos evidenciar que transformar a alimentação é transformar o mundo: exige conhecimento, políticas públicas, inovação e, sobretudo, trabalho conjunto entre profissionais de saúde, decisores, comunidade e cidadãos. O e-book traduz a nossa missão: desmistificar com ciência, comunicar com clareza e inspirar ação.
- Que transformações estão a acontecer na indústria alimentar e que consequências é que isso vai ter na nossa vida?
Vivemos uma revolução silenciosa na forma como os alimentos são produzidos, distribuídos, comunicados e selecionados. A inovação tecnológica, a digitalização e a sustentabilidade estão a redesenhar toda a indústria alimentar. Vemos surgir novos produtos, processos mais circulares, embalagens ecológicas e maior transparência sobre a origem e o impacto dos alimentos. Estas mudanças podem trazer enormes benefícios — mais qualidade, segurança e personalização —, mas também novos desafios. Estas transformações vão ter impacto direto no dia-a-dia, nas escolhas que se fazem e nas decisões que são tomadas. Sem literacia alimentar, o consumidor pode sentir-se perdido num mercado cada vez mais complexo. Poderemos vir a ter alimentos mais “personalizados”, saudáveis e sustentáveis, mas ao mesmo tempo teremos de garantir que o progresso tecnológico não aumenta desigualdades nem afasta o consumidor do real sentido da nutrição humana e saúde. Por isso, é essencial reforçar o conhecimento e o pensamento crítico da população, para que cada pessoa possa fazer escolhas informadas, equilibradas e sustentáveis. O futuro da alimentação dependerá da nossa capacidade de conciliar inovação com equidade, ciência com cultura e crescimento com respeito pelo planeta. A indústria e a ciência têm aqui um papel conjunto: garantir que a inovação serve a saúde global e não a compromete, tornando a alimentação um pilar de bem-estar, equidade e respeito pelo planeta.
