O adiamento dos exames do cancro do cólon devido à covid-19
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Fotografia Rui Tato Marinho no jornal da Sic Noticias

Rui Tato Marinho, Professor da FMUL e Diretor do Serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, esteve presente no jornal da SIC Noticias, onde falou sobre o cancro do intestino, um dos que mais afeta os portugueses.

Arrancou, na passada segunda feira, o mês europeu de luta contra o cancro do intestino. Ao longo deste ano de pandemia algumas consultas e exames foram adiados e o Professor revela que, “foi possível manter cerca de 80% das consultas”, em teleconsulta, e relativamente aos exames, comparando com o ano passado, “a redução foi de 90%”.

“Em 2019, o país fez quase meio milhão de colonoscopias e, no ano passado, registaram-se apenas 350 mil exames”, o que significa que, “há um terreno muito grande para recuperar”.

Sendo o cancro do intestino uma das principais doenças que afeta os portugueses, Rui Tato Marinho, defende a criação de um programa de rastreio, de modo a colmatar estes atrasos nas consultas e exames provocados pela covid-19. Todos os anos, “10 mil pessoas são detetadas com cancro do cólon”.

Um rastreio que o Professor considera muito útil, neste momento, é a “pesquisa de sangue nas fezes”. Este rastreio, “não tem tido grande adesão por parte dos portugueses, mas, nesta fase, poderá ajudar a detetar alguns cancros que, por vezes, se manifestam de forma assintomática durante vários anos.”

Rui Tato Marinho, realça alguns sinais de alerta que todos devem ter em atenção, tais como, perda de sangue nas fezes, falta de apetite, emagrecimento e diarreias. Afirma que, “pode ser tarde quando estes sintomas aparecem”, por isso, “devemos pensar numa estratégia para recuperar estas dezenas de milhares de pessoas que estão em lista de espera” por um rastreio ou colonoscopia.

A pandemia afastou as pessoas dos hospitais, mas o Professor pede a todos que tenham confiança no Sistema Nacional de Saúde, seja público ou privado, porque “estamos cada vez mais seguros, sendo que, cerca de 80% dos profissionais de saúde já foram vacinados”.