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Na sequência da notícia publicada por um jornal semanário e vinda a público no passado sábado, dia 24 de setembro, em que, sob o título “Faculdade recusa nome de João Lobo Antunes”, foi construída uma peça jornalística em que, entre outras afirmações, foram reproduzidos excertos de um texto de resposta do Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa às questões colocadas pela jornalista, texto este que foi truncado, alterando o sentido do que foi dito. A Direção da Faculdade, no respeito pela memória e bom nome das pessoas que estão a ser invocadas, decidiu publicar, na íntegra, o texto que remeteu a 20 de setembro para a referida jornalista:

 

“Exma Sra. Vera Lúcia Arreigoso,

Muito obrigado pela sua mensagem e pela oportunidade que me dá para responder ao assunto em referência, que me merece os seguintes comentários:

  1. Existe um enorme equivoco em relação a esta situação e um mal entendido de base na questão que lhe foi apresentada e que reproduz na sua mensagem anterior. Não só não foi aberto um período de discussão sobre o nome a atribuir ao novo edifício, como também não está em audição pública, aberta a potenciais interessados, a possibilidade de adopção de uma designação para o novo edifício.O nome do novo edifício já foi decidido e atribuído no final de 2014 e as Comissões Diretiva e Executiva do Edifício Reynaldo dos Santos foram nomeadas por Despacho n.º 17/2015 do anterior Diretor, a 23 de abril de 2015.

    Parece existir assim por parte dos eventuais promotores desta iniciativa um desconhecimento desta situação, não tendo acautelado que é diferente procurar promover uma iniciativa para atribuir um nome a algo que não o tem do que estar a querer que seja mudado um nome que já foi atribuído, procurando reverter uma decisão que já foi tomada há mais de 2 anos, por quem tem legitimidade para o fazer.
  2. Não está em causa e nunca estará em causa o nome e a memória do ilustre médico, cientista e cidadão João Lobo Antunes e, precisamente por isso, é estranho que se pretenda dinamizar um processo de atribuição do seu nome a um edifício que já tem o nome atribuído há mais de 2 anos a um outro não menos ilustre cidadão português. Foi um enorme infortúnio e uma perda para a sociedade portuguesa o falecimento do Prof. João Lobo Antunes e, precisamente por isso, há que respeitar o seu nome e memória não o envolvendo em mal entendidos de quem estará menos bem informado sobre estes processos.
  3. As iniciativas da sociedade civil são louváveis e importantes e, por isso mesmo, não podem nem devem confundir-se com iniciativas que partem de pressupostos errados, porque mal informados sobre as situações, levando a que pessoas de boa fé, mas desconhecedoras dos factos, se associem, inadvertidamente, a situações erradas.
  4. O mérito médico, científico e social, à época, do Prof. Reynaldo dos Santos foi e é inquestionável, tal como, mais recentemente, o do Prof. Lobo Antunes, e é completamente inadequado e incorrecto que estas duas personalidades, impares da sociedade portuguesa, sejam colocadas, ambas, na situação que parece estar a ser gerada. A FMUL considera completamente inadmissível que, porventura, se esteja a pretender atribuir qualificativos ou mensurar o que não é comparável. Estes assuntos têm de ser tratados com a dignidade que a preservação da memória das pessoas exige. Há que ter respeito!​

 

Espero, desta forma, ter respondido à sua questão. Estarei naturalmente disponível para qualquer esclarecimento adicional que entenda necessitar a bem da verdade.

 

Melhores cumprimentos

Fausto Pinto”

 

 

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